“Brincando pode se dizer tudo, até a verdade.” Freud, S.
- 27 de jun. de 2022
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Não é incomum escutarmos que “toda brincadeira tem um fundo de verdade”. Por meio de brincadeiras e piadas é possível que encontremos, inconscientemente, caminhos capazes de burlar nossa própria censura em dizer algo para determinada pessoa que de outra maneira talvez não nos arriscamos a dizer.
A verdade dita através de um chiste acaba sendo relativizada, pois o caráter de seriedade do que é afirmado é tomado como dúbio. A desculpa de que “é apenas uma brincadeira” torna-se uma via de escape caso o conteúdo de “verdade” contido seja recebido como ofensivo.
É interessante como escritores, poetas e dramaturgos valem-se, e não por acaso, em suas produções, de figuras como crianças, bobos da corte, palhaços, na forma de personagens que podem revelar a verdade de uma situação ou história, justamente por personificar a brincadeira e a troça e, consequentemente, não serem levados “tão a sério”.
Tudo isso não anula a importância essencial do caráter de leveza que o cômico traz para a vida humana na sua lida com os problemas e dificuldades do viver, sobretudo do viver compartilhado.




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